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Publicado em 21/07/2017 09h58

Pierre e Malaka: duas histórias com romãs

 

 Romã... Eu não consigo ver essa fruta sem que me venham à lembrança duas figuras interessantíssimas. A primeira, a do francês Pierre Landolt que a cultiva, de forma orgânica e consorciada a carneiros, nas Várzeas de Sousa, onde o conheci quando acompanhava, em 2015, uma inspeção do Tribunal de Contas ao Perímetro Irrigado. Além de limparem os aceiros os bichos ainda adubam o terreno.

Preparava-se Pierre, na ocasião, para exportar o resultado das primeiras safras à Europa. Brinquei: “Quer dizer que veremos, dentro de pouco tempo, o tratamento de gargantas, no mundo inteiro, por remédios feitos com romãs do Sertão?”.

 

A resposta me surpreendeu, como, aliás, surpreenderia à minha e às avós de vocês. “É mito. Romã serve mesmo é para combater a depressão”. Falava, sem dúvida, com a autoridade de quem é sócio da Novartis, o quarto maior laboratório farmacêutico do planeta, um patrimônio advindo do bisavô, o suíço Edouard Constant Sandoz. Repito: Sandoz.

 

Perceberam a ligação? Pois bem, foi a união da Sandoz com a Ciba que originou a Norvatis. Li, numa edição da Revista Exame, datada de 2000, que a Fundação Sandoz, da família, controla, em Genebra, o Banco Edouard Constant, a Interoute (empresa de telefonia atuante em onze países europeus) e a World Online International, um provedor de serviços de Internet criado na Holanda. Estamos a falar de negócios anuais acima dos US$ 20 bilhões.

 

A outra lembrança é a do grego Malaka, cujo nome de batismo não me recordo agora, mas poderia conferir, se a preguiça deixasse, em matéria de duas páginas, resultado de entrevista que ele me concedeu para o Jornal do Commercio do Recife. Para tanto, eu teria que abrir alguns baús.

 

Foi o companheiro Figueiroa Oliveira, da Equipe de Circulação do jornal, quem me apresentou a Malaka. Que história o grego me contou. Descendente de judeus, foi prisioneiro em Auschwitz e ali esteve, por duas vezes, na fila da câmara de gás.

 

Em ambas as ocasiões, a sirene acionada ao final de cada expediente o salvou da morte lenta e brutal. Viu, entretanto, a execução dos pais e tios. Quando um soldado russo o resgatou, o moço alto que já era estava reduzido a 45 quilos. Os alemães não o mataram, mas a vergonha quase o conseguiu, posto que estava a furtar chocolates da mochila do salvador enquanto era socorrido.

 

E a romã com isso? Pois bem, ficamos amigos depois da publicação da matéria e, assim, fui inscrito, juntamente com Figueiroa, na seleta lista de convidados para a Festa de Reis que Malaka e a paraibana Terezinha, com quem casou, davam na casa da família, em Tambaú. Cada convidado recebia três sementinhas de romã a serem mantidas na carteira, em meio a cédulas e moedas, para devolução na festa do ano seguinte. Neste caso, as sementes velhas eram jogadas no telhado do anfitrião, depois do que recebíamos sementes novas. A repetição, ano após ano, jurava o grego, nos garantiria dinheiro e saúde.

 


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